A DEMOLIÇÃO DOS SONHOS
Não costumo comentar casos específicos de violência.
Entretanto, a notícia das mortes na escola Tasso da Silveira, na manhã de hoje, em Realengo, RJ, requer considerações.
Eu irei pautá-las por meio de três institutos que se relacionam:
1) A Família;
2) O Estado;
3) A Fatalidade.
A FAMÍLIA
O que faz um jovem de seus vinte e poucos anos sair de casa armado, como se fosse à guerrilha, atirar em crianças indefesas?
Alguns especialistas levantam a tese do transtorno de personalidade, onde a pessoa já nasce com o problema. Potenciais assassinos em massa.
Conhecidos nos EEUU por mass murders, tais assassinos, geralmente, são indivíduos entre 20 e 30 anos, solitários, que não conseguem emprego, com poucos amigos e mínimos laços com a família.
Laços com a família...
Atualmente, não temos “tempo” para ela. Não vemos nossos filhos crescendo. Muitas contas para serem pagas. Muito trabalho. Enfim, não dá tempo.
Contudo os pais podem, sim, verificar um comportamento estranho do filho. Claro que vão cuidar dele. Ou pelo menos tentar. Até porque, se forem pessoas humildes não vão conseguir vaga no psiquiatra do posto de saúde, apesar de dormirem na fila desde a madrugada. Aí é que entra o Estado...
O ESTADO
Não tem vaga no posto de saúde. O que fazer? Perguntam-se os pais. Vamos rezar...
Realmente, é o que resta.
Num sistema de saúde caótico, onde nossos governantes insistem em dizer que não há recursos. Onde paradoxalmente, o próprio ministro admite a ineficiência de gestão (com rios de dinheiro escorrendo pelos ralos – ou bolsos?). Onde propostas de “modernização da saúde” terceirizam os serviços pagando 3 ou 4 vezes mais para este profissional, enquanto o servidor público concursado (pasmem: trabalhando no MESMO local que o “terceirizado”) contempla, aterrorizado, seu descrédito pela autoridade governamental e permanece na estaca zero. Onde não se valorizam os minuciosos Planos Contingenciais (linhas de ação para minimização de catástrofes ou grandes emergências) realizados, notadamente pelos Corpos de Bombeiros, que talvez sejam um peso na memória de algum já esquecido computador da alta cúpula.
Neste último item, pôde se perceber os flagrantes: desespero e despreparo e falta de equipamentos nos grandes hospitais do Rio de Janeiro. Obviamente que a gravidade dos ferimentos, no caso em tela, complica a redução da mortalidade. Mas é algo que deveria, sim, já estar mais do que planejado: deveria estar funcionando.
Isso poderia explicar a intensa e suspeita preocupação das autoridades em exaltar (teimosamente, a todo o instante) a ação do policial (logicamente, não desmerecendo sua ação). Este policial, provavelmente, será promovido por bravura e ganhará uma medalha. Suas péssimas condições de trabalho e seu pífio salário permanecerão se esforçando na busca de uma mínima/digna condição de vida...
E se o filho deste policial apresentar transtorno de personalidade? Será que ele vai conseguir uma vaga no posto de saúde?
A FATALIDADE
Caros convivas. Creio que me equivoquei quanto à classificação da fatalidade como instituto. Já penso que ela, na conturbada relação ESTADO x FAMÍLIA, nem mesmo é fatalidade.
Vai ver esta nossa fatalidade carioca tem transtorno de personalidade...
Num texto, não há como fazer um minuto de silêncio.
Portanto sugiro, a cada um de nós, termos tempo para abraçar e beijar nossos filhos, sobrinhos, pais e amigos.
Constituir e fazer valer mais a família, por meio do AMOR, este infinitamente maior que o estado.
MARCOS PAULO RODRIGUES MONTENEGRO
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