Inauguro este espaço, comentando duas notícias recentes que temperam a participação popular: as manifestações nas ruas de Atenas (Grécia) e no aeroporto de Bangcoc (Tailândia).
Grécia - Estudantes e policiais se enfrentaram mais uma vez nesta quinta-feira (18.12.2008) em Atenas, em ato com mais de 5.000 estudantes, colegiais e militantes de esquerda, que protestam contra a morte de um jovem por um policial.
A manifestação de quinta-feira foi organizada a pedido de sindicatos de professores, de grêmios estudantis e organizações de esquerda. Os manifestantes carregavam bandeiras com frases como "O luto não basta, a luta continua", "É preciso punir de maneira exemplar os culpados" e "Estado assassino".
Uma pesquisa de opinião publicada nesta quinta-feira pelo jornal Avgi, realizada após o começo dos protestos, mostra que o Partido Socialista Pan-Helênico, de oposição, tem 6,5 pontos percentuais a mais de popularidade que o governista Nova Democracia.
O policial que matou Grigoropoulos foi acusado de assassinato e está preso à espera de julgamento, e seu companheiro foi acusado de cúmplice. Ele disse que deu um tiro de alerta para se defender de um grupo de jovens, mas o advogado da família do rapaz afirma que ele mirou para matar sem receber nenhuma provocação significativa.
O policial que matou Grigoropoulos foi acusado de assassinato e está preso à espera de julgamento, e seu companheiro foi acusado de cúmplice. Ele disse que deu um tiro de alerta para se defender de um grupo de jovens, mas o advogado da família do rapaz afirma que ele mirou para matar sem receber nenhuma provocação significativa.
Taiândia - Bangcoc, 28 dez (EFE).- A Polícia tailandesa desdobrou cerca de 3.000 agentes em Bangcoc para prevenir que a manifestação contra o Governo, prevista para hoje, desemboque em outra crise como a que paralisou o Executivo durante meses e bloqueou durante uma semana em novembro os principais aeroportos da capital, quando exigiu a renúncia do primeiro-ministro, Somchai Wong-Sawat, acusado de corrupção.
Os protestantes são os seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que consideram que o Governo do atual primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, carece de legitimidade.
Vejjajiva chegou ao poder em 17 de dezembro, após a inabilitação por parte do Tribunal Supremo de seu antecessor, Somchai Wongsawat.
A inabilitação de Wongsawat e a dissolução de seu partido, o Partido do Poder do Povo, colocou fim a meses de protestos dos seguidores da Aliança Popular para a Democracia.
Os protestantes são os seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que consideram que o Governo do atual primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, carece de legitimidade.
Vejjajiva chegou ao poder em 17 de dezembro, após a inabilitação por parte do Tribunal Supremo de seu antecessor, Somchai Wongsawat.
A inabilitação de Wongsawat e a dissolução de seu partido, o Partido do Poder do Povo, colocou fim a meses de protestos dos seguidores da Aliança Popular para a Democracia.
Como percebemos, há um lado mais radical (em Atenas) e um mais moderado (Bangcoc), quando da análise de mobilizações da sociedade.
Interessante como essa mobilização grega, apesar de condenável, surtiu efeitos: alterou o quadro da disputa entre os partidos políticos naquele país, além de objetivar a punição exemplar do policial que atirou.
Penso que esse policial não será absolvido, ao contrário do que aconteceu com o do caso João Roberto.
Imaginem se a cada morte de um inocente por erro ou excesso policial, houvesse uma manifestação semelhante à de Atenas? E nem precisaria ser excessiva como lá, mas poderia ocorrer pela essência da mobilização.
Igualmente instigante foi o caso de Bangcoc. De cunho mais pacífico, foi eficaz, dado o afastamento do premiê e sua substituição.
Aliás, o povo questiona a legitimidade do substituto.
Infelizmente, no Brasil, o corrupto é esquecido senão idolatrado. Seja pelo "cansaço" ou desvio da mídia em seus carnavais ou micaretas, Big Brother ou assuntos futebolísticos.
E o povo, como cantaria Chico Buarque continua bebendo dessa "cachaça", desgraça, que a gente tem que engolir.
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