domingo, 28 de dezembro de 2008

A Queda do Império Maia

28/12/2008 - Cesar Maia cai na festa de inauguração da Cidade da Música Rio - Nesse sábado, durante a festa inaugural da Cidade da Música, Cesar Maia subiu ao palco da Sala Maestro José Siqueira para fazer um discurso e defender a construção da polêmica obra.Ao final, diante da platéia de convidados, o prefeito sofreu um tombo e ficou constrangido.
"Esse tombo foi programado para os fotógrafos. Assim eu posso sair de novo nas primeiras páginas dos jornais", justicou aos jornalistas, sem esconder o embaraço.
Antes de eu discorrer sobre o assunto, devo reconhecer que o senhor César Epitácio Maia não é qualquer um no cenário político. Não digo isso para defendê-lo, e sim pela análise de sua trajetória. Senão vejamos:
César Maia estudou Engenharia na Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais, e atuou como militante de esquerda no movimento estudantil, tendo sido integrante do Partido Comunista Brasileiro. Foi preso depois do golpe de 64 e então exilou-se no Chile em 1968. No Chile conheceu sua mulher, Mariângeles, que teve gêmeos. Estudou Economia na Universidade do Chile, junto com o hoje governador de São Paulo, José Serra. Formou-se em Economia em 1972.
Retornou ao Brasil em 1973. Como havia processos pendentes na Justiça Militar, foi preso no aeroporto e levado para detenção no Batalhão de Guardas – onde hoje é a sede da Guarda Municipal da Prefeitura do Rio. Após 3 meses o processo foi arquivado por falta de provas e retomou, gradativamente, a vida profissional e política. Ocupou vários cargos na Klabin Cerâmica, foi professor da Universidade Federal Fluminense e diretor do Sindicato dos Economistas. Em 1981 filia-se ao PDT e integra o grupo que apoiou Leonel Brizola, cuja eleição garantiu quando descobriu uma tentativa de fraude eleitoral conhecida como o "escândalo da Proconsult". Foi convidado por Brizola para ser Secretário da Fazenda. Foi também presidente do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj) e da Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários do Estado do Rio de Janeiro (Diverj).
Eleito deputado federal constituinte nas eleições de 1986 pelo PDT. Foi reeleito para a Câmara dos Deputados em 1990.
Em 1991, após divergências com Brizola, ingressa no PMDB. Concorreu ao cargo de prefeito do Rio no ano de 1992 e venceu as eleições municipais, derrotando a então deputada Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores. Sua primeira administração (1993-1996) foi marcada pela realização de várias obras das quais se destacam o Rio-Cidade, o Favela-Bairro, a Linha Amarela e a reforma de escolas e hospitais. Promoveu a descentralização administrativa, com a criação das subprefeituras, a criação da Multirio (Empresa Municipal de Multimeios ligada a Secretaria de Educação) e da Rede Municipal de Teatros.
Em 1996 Cesar Maia, então no PFL, lança como candidato a sua sucessão o seu secretário de urbanismo Luiz Paulo Conde. Este vence o pleito municipal com apoio ostensivo de Maia.
Em 1998 Cesar é derrotado por Anthony Garotinho na corrida para o governo estadual. Em 1999, Conde rompe com Cesar Maia após se recusar a cumprir o acordo firmado em 1996 de apoiar Cesar Maia no pleito seguinte, para tentar concorrer à reeleição. No ano seguinte, Maia disputa e conquista pela segunda vez a prefeitura carioca, desta vez pelo PTB, derrotando o seu ex-aliado Conde, pelo PFL.
Novamente no PFL, é reeleito em 2004 no primeiro turno para cumprir seu terceiro mandato. Em 2005, anuncia a possibilidade de se candidatar à Presidência da República nas eleições de 2006. Logo após o anúncio, o sistema municipal de saúde sofre intervenção por parte do governo federal. Esta intervenção atinge algumas unidades hospitalares. Cesar foi severamente criticado pela oposição por ter nomeado como secretário de saúde o banqueiro Ronaldo Cezar Coelho (PSDB), irmão do ex-juiz de futebol Arnaldo Cezar Coelho. A intervenção é considerada ilegal na justiça, e Maia estabelece a devolução de alguns hospitais municipalizados na administração Conde e que não estavam recebendo a verba devida do governo federal. Maia acaba por desistir de concorrer ao Palácio do Planalto.
Neste terceiro mandato (2005–2008) Cesar construiu vários equipamentos esportivos visando aos Jogos Panamericanos de 2007. O Parque Aquático Maria Lenk e o Estádio Olímpico João Havelange são alguns dos equipamentos construídos. O parque aquático fica no Complexo Esportivo do Autódromo Nelson Piquet, localizado em Jacarepaguá. Os Jogos Panamericanos foram considerados um sucesso.
Entre agosto e outubro de 2005, manteve um blog, em que dava suas opiniões sobre política interna e externa. Atualmente mantém o chamado "Ex-blog", um boletim eletrônico distribuído para e-mails que podem ser cadastrados no endereço do blog. Nesse boletim, costuma fazer oposição ao governo federal.
Portanto, houve altos e baixos durante a sua aministração.
Lamentável é o arroubo de loucura (ou obsessão pela opulência característica da própria arquitetura maia) valendo-se do argumento do fomento cultural ao municipio.
Não que não precisemos de espaços para a música no Rio. Realmente, alavancam-se a cultura e o turismo. O duro é sentir, desafinadamente, as centenas de milhões de reais investidos (?), em detrimento dos setores Saúde (vide Dengue) e Transporte, cronicamente à míngua.
O tombo de César Maia durante o seu discurso na Cidade da Música tornou-se simbólico: foi o resumo de seu último mandato - A melancólica queda do Império Maia em tom menor.

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