
19/01/2009 - JORNAL EXTRA
Desapropriação de terrenos e casas em Itaboraí não foram negociadas, mas máquinas já trabalham no local
José Pinto de Castro Filho, de 48 anos, e José Francisco da Silva, de 60. Além do primeiro nome, eles atualmente dividem também um drama: as casas dos dois estão no meio de um terreno em Itambi, distrito de Itaboraí, onde está prevista a construção de unidades habitacionais e uma creche do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Moradores do local há quase 30 anos, ambos alegam que não foram procurados por qualquer autoridade para tratar de desapropriações e indenizações dos terrenos.
- Não sou contra melhorias. Mas não dá para acelerar o crescimento de uns e frear o de outros. Aqui o programa não acelera ninguém. Só breca e derruba - diz José Francisco.
- As nossas plantações já foram destruídas pelas máquinas, acabando com o nosso sustento. Agora só falta passar por cima da gente - disse José Pinto.
Medo das máquinas
Com medo de ter a casa colocada abaixo de uma hora para outra, José Pinto levou a mulher e os três filhos do casal para a casa de parentes, em Venda das Pedras, também em Itaboraí:
- Eu sei lá se vou acordar um dia embaixo dos escombros. Melhor protegê-los.
Com medo de ter a casa colocada abaixo de uma hora para outra, José Pinto levou a mulher e os três filhos do casal para a casa de parentes, em Venda das Pedras, também em Itaboraí:
- Eu sei lá se vou acordar um dia embaixo dos escombros. Melhor protegê-los.
Imaginem se fossem terrenos de pessoas mais abastadas ou com "importância visual", como é o caso das favelas. O prefeito ou governador, com certeza, alardeariam o pagamento das indenizações, se vangloriando para justificar a supremacia do interesse público.
Infelizmente, esse grupo de pessoas em Itaboraí estão invisíveis. O desconhecimento e a humildade são tantas que, os moradores ficam em posição defensiva. Até abandonam suas propriedades sem a justa indenização, com temor de perderem as próprias vidas. A cidadania de cada um deles fica ferida por isso.
O Estado se mosta um Leviatã, tão ou mais feroz quanto aquele idealizado no livro hobbesiano. Nesses momentos, devemos nos tornar cada vez mais pró-ativos: educar, ensinar ao povo e cobrar das autoridades aquilo que nos é de direito, e o que constitui seus deveres.
Afinal, estão lá por nossa conta e...risco.
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